Sobre nós


O blog “Falando do B” tem como objetivo resgatar a história de um grande sucesso do Jornal do Brasil, o Caderno B. Os alunos da FACHA (Méier) desejam mostrar o início desse suplemento, a sua fase áurea, os grandes escritores e jornalistas que trabalharam no caderno e o quanto ele foi importante, visto que inaugurou uma área cultural até então inexplorada pelo jornalismo brasileiro. Os cadernos culturais se transformaram em objeto de desejo da maioria dos jornais depois de sua criação. O Caderno B foi o pioneiro e até hoje nós podemos curtir esse trabalho diariamente no JB.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

1973 - Tarsila do Amaral: A musa ausente

Fonte: JB online

1980 - Show de Sinatra no Maracanã

Drummond fez uma crônica que ilustrou a expectativa carioca em torno da concorrida vinda do cantor Frank Sinatra ao Brasil.
A exaltação da grande platéia, de fãs de diversas partes do Brasil e do exterior, colidiu com o rígido esquema de acesso dado aos profissionais da mídia para a cobertura do show. Somente um fotógrafo de cada órgão de imprensa pode trabalhar no gramado. Aos outros, foram destinados lugares no fosso dos jogadores ou na Tribuna de Imprensa. Nenhum jornalista teve acesso ao gramado.
Mais uma grande matéria do B.
Fonte: JB online

terça-feira, 2 de junho de 2009

Sucesso relâmpago de hoje Susan Boyle na visão de Mario Marques

Esse artigo é bem fresquinho, mas gostei muito de como Mario Marques expressa sua opinião a respeito desses "novos talentos" que surgem do nada e vão para o nada

É preciso ouvir a obra de Chico Buarque para lembrar que Susan Boyle é nada

Mario Marques, Jornal do Brasil

RIO - Esquecíveis, como qualquer produto de entretenimento da internet – sem piedade atropelado pelo fenômeno seguinte – Mallu Magalhães e Susan Boyle entram para os anais da indústria cultural como exemplos de artistas que ganharam fama mais pelo pacote do que pelo conteúdo. Mallu era a menininha de 15 anos que tocava musiquinhas ao violão evocando Bob Dylan e Johnny Cash e namorou (ou namora, ou não) Marcelo Camelo. Susan Boyle era feia, gorda, brega, suburbana e, acreditavam milhões de pessoas, uma cantora genial. Ambas tinham talento médio e soçobraram porque, no fim, isso é efetivamente o que conta. Com a anunciadíssima e certa morte das gravadoras, tais fenômenos acabam virando defesas desvairadas de que, sim, há ainda um caminho para se ganhar dinheiro com música. Equívoco claro. Atemoriza-me o melancólico fato de que não ouço nada de novo que mereça um rodapé de página desde que 2009 recebeu no céu aquela chatíssima saraivada de fogos. Estou a repetir, sem fôlego, os mesmos discos no carro e em casa. Voltando a décadas passadas para limpar o ouvido, hoje quase mouco diante do batalhão de artistas inacreditáveis. E esse retorno é sempre aos mesmos, ao Jobim, ao Joe Jackson, às coisas feitas nos anos 70, ao jazz e, mais recentemente, a Richard Wagner. Por isso, quando pousa na minha mesa um tributo a Chico Buarque, como este Por eles e por elas, série que marca os 40 anos da Som Livre, perco meu parco tempo a ouvi-lo. Mesmo sabendo que as 28 canções aqui relacionadas podem ser ouvidas, boa parte, em songbooks de nosso maior compositor vivo.

Faço aqui uma confissão profissional. Nos anos 90, conhecendo a obra de Chico Buarque superficialmente – alguns discos, alguns clássicos e um sono profundo num show no Canecão com meus pais nos anos 80 – meu editor cismou que eu deveria fazer uma entrevista (oferecida) com o Chico. Sabem os jornalistas que nosso grandioso autor dá entrevistas só quando lança discos a cada cinco, seis anos, e fecha a boca para sempre, mesmo quando se expressa em livros. Meus colegas, todos, especialmente as mulheres, queriam sentar-se diante dos olhos cor de ardósia por quaisquer dez minutos. Mas era eu o felizardo. Meu editor, então, me perguntara qual era meu conhecimento da obra de Chico. E eu, de pronto: “Tenho tudo em casa”! Uma hora depois estava debruçado na estante de MPB da Gramophone, na Gávea, comprando tudo, todos os discos, tudo relacionado a Chico. Eu ainda estava muito mais conectado umbilicalmente com a música pop naqueles tempos. Enfiei-me em casa, não atendi a nenhum telefonema no fim de semana e pus-me a escutar exaustivamente e a entender e assimilar cada disco – e obviamente o que estava sendo posto à prova (As cidades). Fui tragado pelas melodias e, obsessivo, nada mais ouvi nos próximos anos. Ao chegar à entrevista com Chico, no camarim do Canecão, poderia cantar todas as suas músicas, fazer corelações, referências, citar arranjos. Fiz aquela entrevista (e mais uma, seis anos depois, ajudado por Mario Canivello, para uma biografia de Guinga), fui cobrir a pré-estreia da turnê em Juiz de Fora e posto de plantão no show sete vezes! Foi a melhor obrigação da minha vida, a despeito de ter recusado o convite de meu pai a assistir a Tom Jobim ao vivo, ainda moleque. Por isso, ao reouvir as músicas de Chico neste Por eles e por elas, por vezes regojizei-me; noutras, padeci. Diferentemente do dedicado a Djavan, que, com uma exceção ou outra, trazia belas interpretações da obra do autor, este abre portas para quem não tem laço com o compositor.

Puseram no projeto meninas em busca de espaço (Maria Gadu e Monique Kessous), cometeram o crime de botar no troço Fernanda Takai (meu Deus, insistem nela), Monica Salmaso (que a crítica paulista adora, e até o pessoal do Trapiche Gamboa), Zeca Baleiro (qual o link?) e, como sempre, Ivete Sangalo (quando não é ela, é Claudia Leitte ou Daniela Mercury, alguma baiana tem que ter). Inserções que me remetem diretamente aos terríveis tributos ao vivo cometidos pelo Multishow no fim da década de 90/começo desta.

Se eu retratasse a compilação apenas por este último parágrafo, porém, seria injusto. Conto que os grandes estão aqui neste disco duplo também. Cássia Eller (Partido alto), Clara Nunes (Apesar de você), Nara Leão (Olhos nos olhos), Elis Regina (Atrás da porta) e um dueto de Maria Bethânia com Alcione (O meu amor). Entre os homens, Wilson Simonal (A banda), Caetano Veloso (Samba e amor), Milton Nascimento (Beatriz), Zeca Pagodinho (A Rita) e até o encontro solene de Renato Russo e Hélio Delmiro (Gente humilde).

Num tributo a Chico Buarque, diferentemente de alguns outros a que prefiro me abster, o que vale aqui é reapresentar a uma geração um autor que, de forma quase sagrada, construiu um manancial de canções que fazem corar os que têm certeza de que Susan Boyle e Mallu Magalhães são exemplo de talento.


Entrevista: Diana Aragão

No JB

Trabalhei 14 anos, de 1973 quando entrei como estagiária até 1987, quando pedi demissão pra trabalhar no Segundo Caderno de O Globo a convite do meu ex-editor do B, o saudoso Humberto Vasconcelos.


Matérias para o B


Todas nós fazíamos de um tudo: o dia-a-dia da cultura, funéreos, etc. Mas o meu forte mesmo, como fiquei conhecida até hoje, foram as reportagens nas áreas de música e TV, além de acumular com críticas de shows/discos/TV me revezando com a Maria Helena Dutra em suas férias e assumindo depois da sua saída do B. Foi uma indicação do crítico de teatro do B até hoje, o Macksen Luiz.

O JB para sua carreira


Foi, sem dúvida, uma das melhores épocas da minha vida profissional e pessoal, pois além do reconhecimento no trabalho, foi o local onde fiz meus grandes e melhores amigos até hoje, não só com as queridas “meninas do B” mas com o povo do jornal como um todo, pois a redação era muito unida.
Repercussão das matérias

A repercurssão de qualquer matéria no B, não só minha, mas dos coleguinhas era enorme, porque realmente ele ditou modas e costumes, era uma “bíblia” da época, um foco de resistência cultural. Tenho o maior orgulho até hoje de ter trabalhado no que considero o período áureo do JB como um todo, vale frisar.


Histórias


Existem 500 mil histórias interessantes porque – repito – cobríamos de A a Z. Dos irmãos Veloso, Chico Buarque, Manoel Carlos, fundação do Grêmio Recreativo Escola de Samba Quilombo com mestre Candeia à frente, os também mestres Cartola e Nelson Cavaquinho, o Free Jazz, o Projeto Pixinguinha. Um dia você estava na piscina do hotel Nacional entrevistando o Sonny Rollins e vendo o Chet Baker sentado na escada, sozinho, comendo um chocolate ou entrevistando Gal Costa. Ou Maria Bethânia em sua casa das Canoas. No outro dia estava no Jardim América conversando com Nelson Cavaquinho ou no Buraco Quente, da Mangueira, com Cartola. Ou ainda vendo a minha Mangueira ser supercampeã na inauguração do Sambódromo e quase ser esmagada na abertura da Praça da Apoteose, no mesmo Sambódromo, para shows (aberto com Milton Nascimento). Ou comício das Diretas Já na Candelária, os shows de primeiro de maio no Riocentro. São muitas histórias...


Emoção


O JB e o Caderno B foram marcantes na minha vida e fico muito emocionada com as inúmeras lembranças, de amigos que já morreram e por isso passo meio batida pra não chorar....

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Vicente Senna e a seleção canarinho

"Trabalhei 27 anos no JB, mas nunca no B. No entanto, convivi muito com os colga de lá. Nos bons tempos, o JB era uma casa só, todo mundo se ajudando. Mas me lembro de uma boa história entre o esporte e o B. Foi na Copa do Mundo de 1992, quando o Brasil foi eliminado pela Itália. Se vencesse, iria pra decisão do título. Foi um trauma, porque a seleção de Zico, Falcão, Júnior, etc, é considerada uma das melhores já formadas no Brasil. Nós, do Esporte, roubamos a crônica do Drummond, que sairia no B, falando da derrota da seleção canarinho. O título era 'Perder, ganhar, viver'. Fizemos um belíssima capa do caderno de Esportes. Saiu apenas a crônica do Drummond, emoldurando um desenho do escritor acariciando um canarinho, feito pelo Chico Caruso."

Eis a crônica:

Vi gente chorando na rua, quando o juiz apitou o final do jogo perdido; vi homens e mulheres pisando com ódio os plásticos verde-amarelos que até minutos antes eram sagrados; vi bêbados inconsoláveis que já não sabiam por que não achavam consolo na bebida; vi rapazes e moças festejando a derrota para não deixarem de festejar qualquer coisa, pois seus corações estavam programados para a alegria; vi o técnico incansável e teimoso da Seleção xingado de bandido e queimado vivo sob a aparência de um boneco, enquanto o jogador que errara muitas vezes ao chutar em gol era declarado o último dos traidores da Pátria; vi a notícia do suicida do Ceará e dos mortos do coração por motivo do fracasso esportivo; vi a dor dissolvida em uísque escocês da classe média alta e o surdo clamor de desespero dos pequeninos, pela mesma causa; vi o garotão mudar o gênero das palavras, acusando a mina de pé-fria; vi a decepção controlada do Presidente, que se preparava, como torcedor número um do país, para viver o seu grande momento de euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões de governo; vi os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhes roubava um trunfo poderoso para a campanha eleitoral; vi as oposições divididas, unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo a se desencantar de tudo, inclusive das eleições; vi a aflição dos produtores e vendedores de bandeirinhas, flâmulas e símbolos diversos do esperado e exigido título de campeões do mundo pela quarta vez, e já agora destinados à ironia do lixo; vi a tristeza dos varredores da limpeza pública e dos faxineiros de edifícios, removendo os destroços da esperança; vi tanta coisa, senti tanta coisa nas almas... Chego à conclusão de que a derrota, para a qual nunca estamos preparados, de tanto não a desejarmos nem a admitirmos previamente, é afinal instrumento de renovação da vida. Tanto quanto a vitória, estabelece o jogo dialético que constitui o próprio modo de estar no mundo. Se uma sucessão de derrotas é arrasadora, também a sucessão constante de vitórias traz consigo o germe de apodrecimento das vontades, a languidez dos estados pós-voluptuosos, que inutiliza o indivíduo e a comunidade atuantes. Perder implica remoção de detritos: começar de novo. Certamente, fizemos tudo para ganhar esta caprichosa Copa do Mundo. Mas será suficiente fazer tudo, e exigir da sorte um resultado infalível? Não é mais sensato atribuir ao acaso, ao imponderável, até mesmo ao absurdo, um poder de transformação das coisas, capaz de anular os cálculos mais científicos? Se a Seleção fosse à Espanha, terra de castelos míticos, apenas para pegar o caneco e trazê-lo na mala, como propriedade exclusiva e inalienável do Brasil, que mérito haveria nisso? Na realidade, nós fomos lá pelo gosto do incerto, do difícil, da fantasia e do risco, e não para recolher um objeto roubado. A verdade é que não voltamos de mãos vazias porque não trouxemos a taça. Trouxemos alguma coisa boa e palpável, conquista do espírito de competição. Suplantamos quatro seleções igualmente ambiciosas e perdemos para a quinta. A Itália não tinha obrigação de perder para o nosso gênio futebolístico. Em peleja de igual para igual, a sorte não nos contemplou. Paciência, não vamos transformar em desastre nacional o que foi apenas uma experiência, como tantas outras, da volubilidade das coisas. Perdendo, após o emocionalismo das lágrimas, readquirimos ou adquirimos, na maioria das cabeças) o senso da moderação, do real contraditório, mas rico de possibilidades, a verdadeira dimensão da vida. Não somos invencíveis. Também não somos uns pobres diabos que jamais atingirão a grandeza, este valor tão relativo, com tendência a evaporar-se. Eu gostaria de passar a mão na cabeça de Telê Santana e de seus jogadores, reservas e reservas de reservas, como Roberto Dinamite, o viajante não utilizado, e dizer-lhes, com esse gesto, o que em palavras seria enfático e meio bobo. Mas o gesto vale por tudo, e bem o compreendemos em sua doçura solidária. Ora, o Telê! Ora, os atletas! Ora, a sorte! A Copa do Mundo de 82 acabou para nós, mas o mundo não acabou. Nem o Brasil, com suas dores e bens. E há um lindo sol lá fora, o sol de nós todos. E agora, amigos torcedores, que tal a gente começar a trabalhar, que o ano já está na segunda metade?

Crônica publicada no dia 21 de junho de 1982 no Jornal do Brasil.

Os 70 anos de Mario Quintana


Em comemoração aos 70 anos do poeta, jornalista e tradutor Mario Quintana, o Jornal do Brasil publicou, em 30 de julho de 1976, uma entrevista exclusiva com ele, realizada na redação do Correio do Povo.